Passadeira Vermelha, tanto estendida aos pés, como ao pescoço.

Na espuma da discussão política que se avizinha nos próximos meses, interessa a alguns apresentar argumentação para esconder as suas responsabilidades no estado da nossa economia local e da Ria de Aveiro, fora dos canais interiores da capital de distrito, infelizmente, uma prosa recorrente nesta coluna.

Importante sim, é quando paramos para pensar no que se tem feito e no que de novo temos, tem que vir à baila a alegoria da busca do tesouro, ou dos garimpeiros, seja na forma dos moluscos multivalves, ou nos eternos que andam sempre à procura da rolha.

Entre a mãe e a madrasta, a Murtosa sempre foi uma agência de viagens épicas, de partidas e algumas chegadas, para, muitas vezes nos fins, se vir a descobrir que o “tesouro” estava no ponto de partida, literalmente no sítio onde muitos tinham sonhado com ele… então mais no tempo em que os juros e o câmbio, eram maiores.

HOJE, as assimetrias territoriais reproduzem as sociais e, por conseguinte, o abandono da coesão territorial e social, que, mesmo neste quadro de bom caminho de Associativismo Municipal, precisa de continuar a refundar a democracia participativa, para legitimar os valores da democracia deste mês de Abril, e travar o retrocesso social que muitos advogam, com ímpetos populistas ou não, mas que não querem este modelo, como alavanca de soluções e parceiros diferenciadores.

Ainda não descobrimos o nosso “mirtilo”, nem as “pás eólicas”, que à noite com bom tempo vemos ali ao fundo a Freita sarapintada de vermelho, naquele concelho que já nos passou a perna nas “acessibilidades”, se Bruxelas não roer a corda e cunhar grilhões.

O coletivo deve, mais do que nunca, sobrepor-se ao individual, deixando para trás protagonismos pessoais e promessas demagógicas e provavelmente utópicas, e a Murtosa terá um papel e uma necessidade acrescida de afirmação regional, para, de uma vez por todas poder combater os complexos de suserano, que em surdina há anos os municípios vizinhos, sobretudo Aveiro e Estarreja, cultivam no gelo do Gin, nas borras do vinho e na beata do charuto, quando olham aqui para esta “herdade” (e nem distinguem Pardelhas de Pardilhó).

Enquanto isso, as explicações políticas, assumem as mais diversas facetas, onde cabem as discriminações do poder central, a insuficiência de verbas e, nos tempos que correm, as consequências da pandemia… Esta continuará presente, felizmente de forma mais indirecta do que directa.

Mas entretanto, para não ficarmos privados do futuro e fruirmos da liberdade teremos de, objetivamente, aprender com esta invulgar experiência do último ano, aferindo as necessárias adaptações ao nível da sociedade (globalmente entendida) e no plano individual, definindo prioridades, novas metodologias e fórmulas concretas de cooperação, acompanhadas de um constante exercício de cidadania, e aqui o tecido social e associativo terá que ter um novo fôlego e os donos do circo não poderão no próximo ciclo “pagar bem aos palhaços”, como muito tem acontecido, e poupar na “ração” dos inquilinos das jaulas, sob pena de um dia, alguma “animal feroz” se atirar a algum tratador…

Ao longo de décadas, as Servidões Administrativas tem atirado a capacidade de atuar do nosso concelho, para a “mendicidade” e por isso, entre o que se anuncia e concretiza vai uma enorme distância temporal, com planos em risco de serem lançados para as gavetas do esquecimento, onde jazem as mais curiosas epifanias, encíclicas e as fotos para mais tarde recordar, se entretanto também não se dissolver alguma nuvem.

Este é um tempo da Murtosa congregar esforços e incrementar a capacidade de resposta aos desafios do presente e do futuro, mesmo num tempo em que os cenários para as próximas eleições autárquicas ainda vem longe, e estão entretidos ainda pelo tempo dos paralelos; entre a Rua dos Precursores e a Praça dos Combatentes.

É preciso crescer e aparecer, e por outro lado, ir direto aos assuntos, responder às nossas questões, para gradualmente se aumentar o volume, e a sonoridade das intervenções políticas, com o objetivo de marcar campos de ação e captar, em devido tempo, as atenções do eleitorado murtoseiro, o qual denota, por enquanto, algum cansaço perante estes reciclados expedientes, face ao balanço macro, daquilo que outrora é prometido e se encontra, realmente, concretizado e mais fruível.

Decerto que 3500 eleitores, nos próximos quatro anos, vão precisar de algumas explicações, mas este é um tempo de mudança e de novos desafios, que deve suscitar a máxima atenção de todos nós, a envolvência na ajuda a resolução dos problemas, o exercício da nossa responsabilidade individual, o sentido crítico face às propostas políticas que nos vão ser apresentadas e às respostas necessárias no quotidiano.