À Deriva, isto é , Sem Rumo

António Maria dos Santos Sousa

A pandemia Covid-19 é a culpada de todos os males e, ao mesmo tempo, a desculpa para todos os males.

O inenarrável Ministro da Administração Interna, Dr. Eduardo Cabrita, ainda no exercício do cargo (certamente também por ser amigo do Dr. António Costa, Primeiro Ministro do Governo de Portugal), em uma das suas intervenções descabeladas, falando como se estivesse num “comício eleitoral”, resolveu dizer que os Portugueses é que são os culpados de, em Portugal, se terem atingido os níveis mais elevados do Mundo de contágios, de infetados, de internados e de mortes por Covid-19.

Com ligeireza e fazendo de palermas todos nós, tentou lavar as suas mãos emboitadas, assim como as do Governo de que faz parte, da responsabilidade que têm na gestão de toda a crise pandémica.

Em nome da verdade, não podemos deixar de chamar à colação a corresponsabilidade do Senhor Presidente da República, fiel abono de família do Governo, que, sendo hipocondríaco, com tiques de “salvador da Pátria” e um indisfarçável desejo de ficar na história como “um dos notáveis”, vai subscrevendo “cheques em branco”, semelhantes àquele que, quando era o Presidente do Partido Social Democrata, passou ao Eng. António Guterres, então Primeiro Ministro de Portugal, que, passado algum tempo, demitiu-se do Governo por reconhecer que o País estava num pântano. De resto, no passado mês de Outubro, quando os tempos se mostravam cinzentos para a aprovação do Orçamento do Estado, com as eleições Presidenciais no horizonte próximo, querendo condicionar o PSD, ousou invocar o que tinha feito quanto ao Orçamento do Estado do Governo do Eng. António Guterres.

De facto, as conivências e as conveniências políticas, embora se percebam mesmo que disfarçadas de alegado sacrifício desmedido e de um sentido patriótico patético, ultrapassam-nos pois, como a generalidade dos Cidadãos, não fazemos parte do grupo dos escolhidos e dos iluminados, que pululam não só nos “governos”, mas também nos diversos cargos em que se praticam pequenos poderes e se obtêm proveitos em troca de pequenos favores a quem precisa.

O Bloco Central que nos (des)governa, formado pelo Partido Socialista, (ultimamente apenas acolitado pelo Partido Comunista) e, como já referi em escrito anterior, pelo Senhor Presidente da República (qual eucalipto que vai secando os Partidos à direita do Partido Socialista, criando espaço para o crescimento dos extremismos), em vez de governar com competência e inteligência, vai correndo atrás do prejuízo, sempre a ver o que os outros fazem e, por via disso, toma decisões tardias e erráticas. 

Efetivamente, quem governa, tem que ser capaz, competente e perspicaz. Perante a realidade, tem que saber ler o futuro e tomar as melhores decisões. Não pode, como uma boa parte dos mortais, ser apenas reativo. Diante das dificuldades, tem que fazer escolhas, tomar decisões e não ajuizar apenas em função daquilo que alguns “sábios e cientistas” vão opinando, mas com base numa avaliação global de toda a situação.

Não fossemos os destinatários dos atribulados ziguezagues da “Governação Costista, mais preocupada na propaganda política do que com tudo o resto, e, seguindo os seus passos, todos nos acharíamos possuidores dos atributos necessários para se governar bem um País, pois bastaria que os Srs. Peritos se entendessem (chegassem a um consenso/acordo), quanto às medidas a pôr em prática para combater/erradicar a pandemia. A sagacidade e a habilidade do Dr. António Costa, revelaram-se, no dito apelo aos “Peritos”, como uma desavergonhada declaração de incapacidade para gerir bem Portugal em tempos de crise.

Tem boa impressa e comunicação social que, subsidiadas com dinheiro dado pelo Governo, vão desculpabilizando os seus erros sucessivos, fazendo crer e parecer que tudo vai bem “no Reino da Dinamarca”. Ouvimos, ainda não há assim tanto tempo, com insistência, da boca de correspondentes, deslocados e destacados para nos informar bem, que a gravidade da pandemia, quer nos Estados Unidos da América, quer no Brasil, eram consequência das nefastas políticas de Donald Trump e de Bolsonaro, argumentação corroborada e reafirmada (quase até à exaustão) pelos “comentadores” que também comem, generosamente, da “mesa do Orçamento”. 

Para mal de todos nós, ainda não tem um mês, fomos os “piores do Mundo”, mas não ouvimos, quer os Jornais quer a Televisão Portugueses dizerem, com a persistência que com que o fizeram naqueles casos, que a culpa era do Dr. António Costa, ou do seu Governo. Talvez, esta, para não morrer solteira, tenha sido do Senhor Presidente da República que, calculísticamente, de vez em quando, com algum cinismo e oportunismo bacoco, vai declarando que o único culpado é ele (como que lavando as mãos, à moda de Pilatos).

Felizmente, para amenizar os males, temos a “bazuca” de cerca de catorze mil milhões de euros, que nos vai ser dada pela União Europeia, a que acresce a possibilidade de se recorrer a empréstimo de mais dinheiro em condições bastante favoráveis. É um bem para Portugal, mas que tudo já indica não terá uma aplicação, que seja geradora de riqueza e consequente melhoria das condições de vida para todos nós.

Mercê da má governação de Portugal, somos cada vez mais os últimos da Europa. Como ouvimos com alguma frequência os “Socialistas” são bons a distribuir dinheiro e a criar situações de crise no País. Quando já não há nada mais para gastar, estendem a mão a pedir dinheiro, e deixam o poder para que os outros façam as reformas necessárias (também acabam por não as fazer, igualmente em nome da estratégia política), para se reequilibrar as Contas Públicas. Destino e fado o nosso … .

Quanto à “bazuca”, do Plano de Recuperação e Resiliência já sabemos que a grande fatia irá para o Estado. Para o Governo fazer algumas das coisas que não fez nos seis anos que leva de Governo, pois é campeão do menor investimento público, conseguindo, neste campo, mesmo ganhar ao Governo da “troika” (do Dr. Passos Coelho).

As Empresas e a Sociedade Civil, que são quem cria postos de trabalho reprodutivos, geradores de riqueza, terão que se “contentar” com uma pequena parte do “bolo”. O resultado previsível é sermos cada vez mais os últimos da Europa. É esta a estratégia(?) do Governo do Governo do Dr. António Costa, mais preocupado na política do engano e da mentira, para manter o poder, do que no crescimento e no desenvolvimento do País.

Assim, vamos deixar uma herança cada vez pesada para os mais novos. Por nossa culpa, que continuamos a pactuar com as políticas erráticas de um Governo, que apenas tenta gerir (mal) o dia a dia.

Tenhamos esperança. Não nos acomodemos às palavras que embalam e enganam, escondendo a fragilidade das Empresas e das Instituições de apoio social e as dificuldades daqueles que menos têm. Precisamos de verdade e de políticas que envolvam a sociedade civil, capazes de nos libertar desta sina de sermos eternamente pobres, enquanto que meia dúzia se banqueteia com aquilo que é de todos.

O vírus, esse, que vá para o diabo. Tudo faremos para nos livrarmos dele. Se veio tem que ir embora. Formulo votos de saúde para todos.