Neste período atípico, marcado por incertezas, receios, preocupações e adversidades, é também importante planear, prever, acreditar, confiar e encarar a nova realidade como uma oportunidade para seguir em frente com mais segurança a vários níveis.
Mas, muito para além da Covid-19, a dinamização empresarial e turística do nosso concelho, continua a ser reduzida e dependente de investimentos públicos prometidos há mais de uma década, mas que nem à lupa se vê em Plano algum, só naqueles de Pormenor, que se cozinham ali no segundo andar dos Paços do Concelho, e é urgente pensar o futuro e acreditar no pós-pandemia como uma oportunidade a promover e “pescar à linha” sobras de Fundos Comunitários.
Não podendo voltar atrás e apagar os danos causados no nosso já parco tecido económico, é fundamental avaliar o presente, encontrando “lucro” no “prejuízo”, porque as fraquezas também se podem transformar em forças muito úteis para um futuro mais promissor.
Mas, viver na Murtosa tem muitos custos de contexto diferentes da vizinhança, da falta de mão-de-obra especializada e dificuldade em atrair talento, só muitas vezes “corridos” e “chateados”, à sazonalidade dos absentismos ao trabalho, aos custos energéticos, da falta de sinalização às voltas no Canedo de Veiros, à distância e do preço das portagens, são muitas as razões a pesar na instalação de empresas ali no Feital, apesar de supostamente haver procura ou interessados.
São muitas as dificuldades e são poucas as facilidades para investir, e nem a ausência de derrama mitiga este estado de coisas.
A resiliência pode ser muito bonita para falarmos do esforço e altruísmo que é necessário para promover o emprego e o investimento, mas não dá de comer a ninguém, muito menos a quem pode escolher entre investir por cá ou ficar mais perto de Lisboa ou Porto, até a fábrica dos Jipes aqui bem perto de nós, desatascou e fugiu ali para as encostas de Gaia.
A propósito do Plano de Recuperação e Resiliência, a nossa Região pouco ou nada pôde pugnar, já que os 13,9 mil milhões a fundo perdido que a Europa irá disponibilizar, são apenas para estradas, hospitais, habitação acessível e eficiência energética, apagar incêndios, o novo Banco de Fomento, hidrogénio, descarbonização (as pradarias e os juncais, mesmo truncados, são uma mais valia nisso também), novas linhas de metro em Lisboa e Porto, os computadores nas escolas, lítio, obras… e para manter a TAP, mas pouco ou nada disto na nossa cidade-região, nem muito menos para o quartier Murtosa ou a requalificação e gestão da nossa Ria.
Entretanto, esta pandemia de Covid-19, foi e está a ser um gigantesco desafio, mas também uma lição que tem gerado flexibilidade, inovação e criatividade, características essenciais para ultrapassar crises como a que estamos a viver, e outras que possam surgir, e não sairemos disto coletivamente, sem atitudes proativas, fruto de constantes adaptações à realidade, em tempo record, e sem força de vontade para superar obstáculos, acabará assim, por fortalecer e valorizar tudo o que temos, nestes próximos meses.
As eleições autárquicas estão à porta e vamos assistir a um virar de atenção de algumas pessoas nesta fase da vida pública, que começam a querer saber quem serão os candidatos a candidatos, e os murtoseirófobos indigitados em murtoseirófilos, e a questionar-se sobre as aproximações e as contendas intestinas políticas do costume, se por cá os protagonistas forem novamente os mesmos de há quatro e oito anos.
Evoluir a gestão autárquica dos últimos 40 anos e apresentar uma mudança para o poder local, com novos modelos de gestão e novas competências, tem sido uma tarefa enorme, sobretudo com o objetivo de gerir causas de milhões com tostões, como se tem o leitor inteirado em vários artigos.
A conjugação de diversos fatores, arrastaram para 2021 a maior parte das intervenções de maior monta, já para não falar de concursos desertos e empreiteiros com dificuldades, a propensão para entender este ano de realização de obra com a aproximação do escrutínio, como uma longa campanha de reforço ao poder dos actuais líderes é popularmente inevitável.
Contudo, existe o desafio do autarca que uns “engraixam”; e que tem medo de outros; que já se conhece pelo nome, e que é, em quase um século de emancipação, quem mais tempo de vida autárquica soma, é natural não se confiar em alguém novo, e ter-se dúvidas, é humano e aceitável.
Mas é também assim que se deve construir uma alternativa, mostrando caras novas e trabalhando para a renovação que se quer, assumindo os riscos e os resultados desse caminho, coisa que desde 1997, não acontece por cá, na minha humilde opinião.
Assim, para os próximos meses, compete-me lançar o desafio primaveril, se a Murtosa é um partido de ideias, onde cada um é um Partido, são precisas caras novas que tragam novas ideias.