
Parece estar nas mãos do Partido Comunista, cujo líder, Jerónimo de Sousa, no discurso de encerramento do Congresso, realizado no último fim de semana de Novembro, declarou que não haverá solução para a governança do País sem a sua intervenção.
De facto, perante o divórcio público, feito na praça pública, entre o Governo e o Bloco de Esquerda, o PC ficou, praticamente sozinho, a exigir aquilo que defende ser o melhor para a classe operária/trabalhadora. E, sem remédio e cada vez com menos “força”, o Dr. António Costa lá vai fazendo concessões, quer isso seja ou não o melhor para os Portugueses.
Na verdade, tendo-se encurralado à Esquerda (com a estrema Esquerda incluída), o Governo, para sobreviver, acima do interesse Nacional, coloca os interesses do Dr. António Costa/Partido Socialista que, com o seu jeito sagaz e instinto de poder, nos está a conduzir por caminhos que parecem não serem os melhores para Portugal.
Já não bastava a pandemia Covid-19, para nos exigir uma mudança na nossa atuação e nos nossos comportamentos.
De tão mal gerida pelo Governo (a exemplo de outros Governos de outros Países, que sempre copiaram e invocaram para justificar “as asneiras”, que foram e vão fazendo, o certo é que com os males dos outros podemos bem. A quem nos governa, é exigido que o faça com lucidez, inteligência e pragmatismo, o que tem rareado por estas bandas …), estamos na situação em que estamos nos Lares de Idosos (ERPI – Estabelecimentos Residenciais Para Idosos). São os mais frágeis quem pagam a conta de tanta incompetência, disfarçada habilmente com promessas e palavras de ocasião.
Já no meu artigo/colaboração para este Jornal, que veio a lume na sua edição do passado mês de Março, escrevi: “Porém, por ignorância ou conhecimento desajustado da realidade, por parte de quem tem a responsabilidade de prover ao bem comum Governo/Serviços de Saúde, os de mais idade e todos os demais com fragilidades/debilidades físicas, assim como os seus Cuidadores, os primeiros e os segundos mais sujeitos à mortalidade provocada pelo vírus, em todo este processo de prevenção ficaram para trás. Os casos e os pedidos de apoio desesperados, que vieram de quem tem a responsabilidade e trabalha nos Lares de Idosos deram uma ideia de uma tragédia anunciada, se as coisas continuassem como estavam. Alguns Autarcas fizeram ouvir a sua voz e, alguns deles, passaram mesmo a atuar no terreno, substituindo-se aos Serviços de Saúde, na proteção e defesa dos de mais idade e dos seus Cuidadores. Hoje, na hora do almoço, através do Sr. Secretário de Estado da Saúde, tivemos a boa notícia de que todos os idosos internados nos ERPI (Estruturas Residenciais para Idosos/Lares de Idosos) vão ser testados, bem como todos aqueles que trabalham com os mesmos. Tarde, mas esperemos que ainda a horas de se salvarem muitas vidas”.
A final, os testes para os Lares de Idosos e os demais cuidados necessários, pelas notícias que vamos ouvindo e pelos factos que vamos constatando, foram pouco mais do que uma promessa, apenas cumprida, aqui e ali, não pelo Governo, mas pelas Câmaras Municipais que, não sendo essa sua obrigação legal, na generalidade, fizeram o mínimo, sem a programação e a continuidade exigidas.
Da Direção Geral de Saúde, com uma atuação perto da “pobreza franciscana”, que num dos meus escritos já ousei mesmo apelidar como a Direção Geral de Segurança do Governo, tal a conduta errónea e os tiques “politiqueiros”, seria de esperar mais, não fora a falta de capacidade, competência, conhecimento, inteligência e clarividência com que nos presenteia a cada dia – parece exagero o que estou a escrever. Contudo, sentimos na pele que, infelizmente, não o é tanto.
Pouco se fez, pouco se aprendeu e o resultado está à vista: em meados deste mês de Novembro, segundo dados da própria Direção Geral de Saúde, dos infetados com o coronavírus, até aos 40 anos tinham morrido cerca de 1%, dos 40 aos 60 anos cerca de 3%, e dos 60 anos para cima cerca de 96%. Certo que se irão contratar mais Médicos, arranjar mais camas, conforme promessas que vamos ouvindo do Governo … mas de promessas vivem os Santos. Na prática nada ou pouco se tem feito e tem sido sempre a correr, aos ziguezagues, atrás do prejuízo.
Efetivamente, como disse no passado mês de Março “ … os de mais idade e todos os demais com fragilidades/debilidades físicas, assim como os seus Cuidadores, os primeiros e os segundos mais sujeitos à mortalidade provocada pelo vírus, em todo este processo …” continuam, ainda agora, a ficar para trás.
Mas vamos aos princípios e à coerência do Partido Socialista e do Dr. António Costa/Governo.
Há cerca de cinco anos, o primeiro Governo presidido pelo Dr. António Costa, aliou-se ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda, ambos da “Esquerda/estrema Esquerda”, que é contra a Europa, que apoia o Governo de Nicolás Maduro na Venezuela, que gostava do Governo de Alexis Tsipras na Grécia, em que o Syriza, radical de Esquerda se tinha aliado com a estrema direita, que apoiava o regime ditatorial da Coreia do Norte, que era marxista-leninista, etc.. Já estará tudo branqueado?
Até aqui, para as, agora, “virgens ofendidas”, nada de mal, pois cada Partido mantinha a sua identidade e o Acordo escrito dava cobertura e garantia de um Programa de Governo.
Recentemente, nos Açores, houve um Acordo semelhante, em que o PSD, o CDS e PPM acordaram receber o apoio Parlamentar do Chega e, aquelas “virgens ofendidas” desataram a gritar pelos princípios e pela coerência do PSD.
Afundados e desorientados na governação do País, com as suas roupas “emboitadas” pela opção que fizeram em 2015, por, por puro oportunismo e sede de poder, terem mandado às malvas aquilo que, apareceram agora, quais inocentes imaculados, a defender.
Afinal, por onde andam os princípios e a coerência do Partido Socialista, do Dr. António Costa e do Governo? É simples, eu próprio dou aqui a resposta: pelas ruas da amargura.
Mas, porque não há uma sem duas, nem duas sem três, também ficamos a saber, nestes dias, que Portugal, no Conselho da União Europeia, criticou a “ … proposta de um mecanismo do Estado de Direito”, recebendo elogios do ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia.
Cá pelo burgo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, declarou que “”O não respeito pelo Estado de Direito, sempre foi uma “linha vermelha” para o Governo””.
É mesmo? Em que ficamos Dr. António Costa com esta navegação oportunista e à vista. A final defende-se só o Estado de Direito quando convém, sendo pragmático e apoiando o seu contrário quando dá jeito?
Tudo mau de mais para quem quer ser arauto daquilo que não pratica: os princípios e a coerência!