Galões e Divisas, galões e meias-de-leite
Pode parecer provinciano ou bairrista, mas o que mais me pode começar por preocupar, do que defender o “sítio” onde vivo? … Já que os cromos, autocolantes, as camisolas, os bonés e os variados “brindes”, qualquer dia, até poderão vir a fazer muito jeito em algum tipo de manifestação real e presencial, quando estiver em causa algo bem grave, num futuro não muito longínquo…
Não por falta de mundo ou sequer de mundividência, mas porque em primeiro lugar temos de defender o nosso meio, o nosso território, e a nossa Ria, e os problemas únicos que nos continuam a coarctar nas diversas linhas de desenvolvimento. É defender o que é nosso e a que queremos dar presente e futuro.
É ser resiliente e corajoso, é ser criativo e lutador, porque só assim podemos influenciar o futuro, o nosso e o da nossa Comunidade, que às vezes parece que se conhece e convive muito mal, e que não é incomum que haja quem se vanglorie mais, do que consegue “lixar” ou “destruir”, do que “conciliar” e “construir”.
Exclui-se também o “Ditirambo”, que além de só arvorar em causa própria, adula no correr dos dias e dos trabalhos do andar da carruagem, a pletora de figuras e factos, que não mais estão a fazer do que cumprir e desempenhar a sua obrigação, naquilo são as suas artes e ofícios, e nos episódios da acção autárquica e da nossa vida colectiva, a atingir o bravo-bravíssimo e o belo-belíssimo, para os quais, ao fim ao cabo, não são mais do que pagos ou apoiados pelo Erário Publico, directa ou indirectamente, para isso mesmo.
Neste momento estamos perante a constituição de macrorregiões, definidas por interesses orgânicos e planos territoriais impostos pela Europa que vão avançar, e este Governo, que tantas vezes proclama o seu espírito descentralizador, é manifestamente centralizador, e o Presidente da República confirma que por muito beijo e abraço que dê pelo interior, continua a ser antirregionalista, e promulgação do diploma que introduz as eleições indirectas dos presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), mostra o lado mais sombrio do sistema partidário, e confirma ainda mais esta visão centralizadora de Lisboa, com os seus corredores opacos, e os labirintos burocráticos do Estado mais concentrado da Europa, que não apoia as mudanças profundas e estruturais que o país, e nós aqui na Murtosa precisamos.
Defendo cada vez mais sim, as pequenas regiões descentralizadas em Comunidades Intermunicipais, como a nossa Região de Aveiro, com problemas comuns, com desígnios e ambições semelhantes, com identidade própria, pelo menos aqui na bacia da Ria de Aveiro.
Vai haver mesmo uma Assembleia Eleitoral, que deverá ser constituída pelos presidentes de Câmara que escolherá uma liderança, sem haver debate e sufrágio universal, um erro colossal: o amiguismo, o carreirismo e a escolha entre iguais, longe do debate e da cidadania, é uma perfeita imbecilidade que a cidadania aceita em silêncio, e um potencial maior golpe em concelhos como a Murtosa, onde os tais “amigos”, são aqueles “sapateiros”, que nunca subiram acima da escova de engraixar as solas dos nossos autarcas, que por sua vez, para lá do Mata-Vacas, da Orbitur e do Areínho, ninguém sabe ao certo quem os “conhece”, ou em que facções dos partidos se “mexem”…
Este diploma, que introduz a forma de eleição das CCDR, é apenas mais uma farsa feita nas costas dos cidadãos, e um murro no estômago do desenvolvimento da Murtosa, porque os problemas da nossa região, têm de ser tratados e resolvidos por quem nela vive, precisamos de meios e decisores de proximidade, que respondam perante as pessoas, que sejam democraticamente eleitos através de sufrágio universal.