Paróquias da Murtosa inventariam património

Aquilo que não é conhecido, não pode ser preservado nem protegido

As paróquias do nosso concelho, vão proceder à inventariação do seu património móvel com vista à identificação, preservação, valorização e salvaguarda dos espólios, numa iniciativa da Diocese de Aveiro, que se pretende alargar às 101 Paróquias que integram a mesma.

Este trabalho já começou a ser desenvolvido no passado dia 29 de setembro na Paróquia da Murtosa, pela equipa da Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja, criada a 17 de Janeiro de 2018, e que nasce na sequência da “perceção” por parte dos Prelados, da inexistência de um registo de bens à guarda das nossas Igrejas.

A mesma equipa, é liderada pelo aveirense Dr. Hugo Cálão. Reconhecendo o “valor, catequético, litúrgico e cultural, que a iconografia e alfaias religiosas têm mantido ao longo de todo o percurso do catolicismo”, foi decidido avançar para este inventário, até com o objetivo de definir um conjunto de medidas de segurança a adotar, nomeadamente no que diz respeito a furtos, incêndios e catástrofes naturais.

Numa primeira fase, serão identificados todos os bens patrimoniais móveis – pinturas de cavalete, esculturas, ourivesarias, mobiliários, cerâmicas, documentos gráficos, têxteis- e móveis integrados, retábulos e elementos de talha, que constituem o espólio secular que todos os católicos praticantes ao longo dos anos, conhecem.

Segue-se o levantamento fotográfico e a avaliação individual de cada peça, de modo a constituir-se uma espécie de “bilhete de identidade” no qual fica registado o nome ou tema representado, a datação, autoria, proveniência original, dimensões, materiais e técnicas de execução, a sua localização no templo, estado de conservação, entre outros aspetos.

Proceder-se-á ainda à descrição e identificação técnico-material de cada peça e à avaliação do seu estado de conservação.

Contactada pela Diocese de Aveiro, a autarquia murtoseira apoiará este projeto, dado que “exceto a Paróquia da Torreira, que se disponibilizou para o fazer, as restantes consideraram irrelevante e sem condição financeira para o fazer”, deu conta o autarca Joaquim Baptista, após ter sido questionado na Assembleia Municipal, pelo deputado da bancada socialista Dr. Hugo Figueiredo.

O autarca, considera “ser muito importante a divulgação do trabalho em curso, nomeadamente através de exposições temáticas, bem como a publicação de um catálogo”, refere ainda.

Assim, a autarquia disponibilizou uma verba de 1800 euros por paróquia, “e as mesmas tem que escolher e mobilizar os leigos que conheçam e saibam o que temos e onde está”, a única condição, será “ter os relatórios para podermos fazer um catálogo das cinco paróquias do nosso concelho distribuídos, para editar um acervo público conhecido”.