Mais estacionamento condigno para bicicletas precisa-se

O projecto Murtosa Ciclável celebra catorze anos de vida, num desígnio em que o Município da Murtosa tem sido uma das referências na promoção velocipédica em Portugal.

Dispõe de condições físicas únicas, um território plano, tem uma localização geográfica privilegiada, bem no Coração da Ria, e possui uma forte tradição no uso da bicicleta razões que explicam o facto de 20 por cento das deslocações casa-escola e casa-trabalho serem feitas a pedalar, um valor extraordinário, se tivermos em conta que a média nacional não chega aos 1.

Quando foi lançado em 2006, o projeto Murtosa Ciclável tinha como objetivo criar um conjunto de políticas e incentivos que incentivassem a mobilidade sustentável e dessem robustez social, económica e territorial a dinâmica instalada. Criado no quadro de uma política pública nacional promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente, teve na Universidade de Aveiro um dos seus parceiros e apoiantes, desde técnicos a tecnólogos.

Esta iniciativa de grande fôlego, vai gerando resultados tido como notáveis, sobretudo aos olhos de quem nos vê de fora ou nos visita, quando se avalia uma rede de ciclovias em permanente crescimento, com promessa de breve expandir à dimensão regional, um sistema de robustas bicicletas partilhadas com muitos utilizadores, dezenas de eventos com envolvimento da comunidade, prémios nacionais e distinções internacionais, que se foram atingindo ao longo desta década e meia.

Mas é constatado quase diariamente, que o público que faz da bicicleta o seu meio de locomoção privilegiado, necessita de ganhar mais atenção no que toca à postura de trânsito e ao seu lugar no espaço urbano.

Num concelho, onde os utilizadores da bicicleta, fazem parte da vida e do dia a dia das ruas e centros urbanos do nosso território, as políticas públicas de mobilidade, devem observar como ela se transforma, e a melhor maneira de atender às novas necessidades.

De facto, alguns comerciantes e cidadãos utilizadores da bicicleta, tem manifestado ao C.M., a sua satisfação pelo aumento do fluxo de bicicletas, mas também desabafado o seu desagrado por, com frequência, faltarem locais seguros para “estacionar”, e no comércio, a potencial clientela deixa muitas vezes de frequentar certos pontos do perímetro urbano de Pardelhas, principalmente, mas infelizmente tal lacuna é sentida um pouco por todo o espaço e edifícios públicos no nosso concelho.

Dado o maior número de pessoas que escolhem a bicicleta como meio de transporte para algumas tarefas do quotidiano, “podemos dizer que este é o principal entrave ao uso da bicicleta neste momento”, confessou uma comerciante da Rua Dr. Carlos Barbosa, quando as vê “arremessadas”, não raramente tombando para cima dos automóveis estacionados.

Depois de pequenos momentos de reflexão, que se focam em juntar pessoas e os seus sítios, para discutir e gerar soluções para barreiras que impedem ou inibem as pessoas de usar a bicicleta, a falta de abrigos e estacionamentos para bicicletas, é de facto, um problema que existe na “Terra das Bicicletas” não obstante, em centralidades recentemente reabilitadas com avultados investimentos, como no Centro do Monte, não são visíveis estacionamentos para bicicletas, excluindo os postes e os candeeiros.

A insuficiência e inadequalidade da rede de parqueamento para bicicletas actualmente existente na Murtosa, é bem evidente pelo elevado número de bicicletas que se veem diariamente presas e encostadas a postes, sinais de trânsito, árvores, gradeamentos, bancos, conforme a solução que se desenrasca, segundo manda a Tropa, ou o Projecto Murtosa Ciclável, que deve mandar ou “delegar”, resolver.

Esse cenário de potencial com entraves a precisarem de ser solucionados, é o que motiva esta sensibilização sobre a importância de oferecer recursos simples, que permitem que ciclistas realmente “estacionem”.

Na nossa terra, ainda faz falta “esta nova forma de activismo, não apenas confrontacional e crítico, mas, no seu âmago, colaborativo e inclusivo dos utilizadores da bicicleta”, que se “limitam a ir fazer número para caravanas ciclistas e não questionar estas coisas, nem realmente experienciam a Murtosa onde vivem, nem como a tornar um sítio melhor”, lamentou ao C.M., outro comerciante da Rua Carlos Sousa Ferreira.

É consensual que estacionamentos para bicicletas corretamente concebidos e bem localizados, são um dos principais factores impulsionadores de atração de novos utilizadores de bicicleta como meio de transporte, pois conferem níveis de comodidade e segurança acrescidos para quem precisa de deixar a bicicleta na via pública.

Ao serem, de facto, criadas condições adequadas para o estacionamento de bicicletas, está-se também a transmitir a mensagem de que a utilização deste meio de transporte activo e sustentável é bem-vinda, levando as pessoas a considerarem de forma mais séria a sua utilização rotineira e aí sim, termos um verdadeiro instrumento de promoção da mobilidade em bicicleta, tanto para quem reside, como para quem visita.